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Meu coração triplicou de tamanho

Publicado 7 mars 2015 per Amanda Nolêto  • 482 visualizações
Meu coração triplicou de tamanho
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Nossa estudante de jornalismo, que faz intercâmbio acadêmico e cultural na Colômbia, nos manda noticias da capital do pais, Bogotá. Em sua quarta crônica, Amanda Noleto fala do medo e dos desafios de viver em terras estrangeiras, longe de casa milhares de quilômetros.  E a gente « embarca » em mais um relato sensível das suas experiências pelo mundo que, segundo ela, é « bão » para quem tem o coração aberto para o bem:

Quando eu aceitei meu intercâmbio e comecei a contar para as pessoas que viria para Colômbia, muitas foram as reações, o que é natural, é óbvio. Muita gente me chamou de louca, achou que eu podia ter escolhido outro lugar ou outra época, mas a grande maioria apoiou a decisão, inclusive meus pais e melhores amigos (com a promessa de que eu voltasse, é claro, rs). Com a certeza estampada no meu rosto, as pessoas passaram então a me presentear com palavras de incentivo e a frase que mais escutei foi “você vai voltar uma outra pessoa”.
E essa é a mais pura verdade! Com pouco mais de um mês morando aqui, eu realmente já consigo notar muitas diferenças em mim. Mudei (e mudo diariamente) muitos dos meus conceitos, mudei alguns dos meus vícios, aprendo todo dia a ser mais paciente, aprendo a lidar com a saudade, aprendo a fazer supermercado (não que eu não soubesse fazer, mas aqui preciso lidar com esse detalhe toda semana), aprendi a cooperar com as pessoas que moram comigo, aprendi a manter o quarto arrumado e a lavar as poucas louças que sujo durante o dia (mãe, essa vai para você) e aprendi uma coisa que eu penso ser até a agora a mais importante: aprendi a ter o coração mais aberto para o bem.
Não que eu seja uma pessoa de coração fechado, sempre fui mais voltada para o bem, quem me conhece sabe, tenho queda pelo otimismo, pra achar que tudo vai dar certo, que os pensamentos positivos conseguem atrair coisas boas e tudo mais, mas aqui na Colômbia um bicho me picou e meu coração cresceu de tamanho. Tudo aconteceu durante os dias que estive em Bogotá, para tratar de questões burocráticas sobre minha permanência no país.
Fui informada pela Universidade que precisaria viajar para Bogotá e me apresentar no Consulado, até então estava tudo certo, eu era consciente dessa viagem. O problema é que eu fui informada numa quinta-feira que meu prazo estava no limite e portanto eu precisaria o quanto antes, tipo “pra ontem”. Eu fiquei desesperada porque não conhecia ninguém em Bogotá, não sabia onde ia ficar, onde era o Consulado, como ia me deslocar na cidade, onde ia dormir e todos esses detalhes. Nesse dia liguei pra casa aos prantos, chorei todo o meu desespero, todos os meus medos e, claro, minha mãe me acalmou com a promessa de que tudo daria certo, “nós temos fé no mundo, lembra?”. Então lá fui eu, embarquei para Bogotá muito cedo da segunda-feira seguinte, com pouca bagagem e todos os pensamentos positivos desse mundo.
Ainda no aeroporto de Montería encontrei uma colega de classe, que também estava de passagem comprada pra Bogotá, também para se apresentar ao Consulado. Muito rapidamente ela me abraçou, feliz em me encontrar e por isso não viajar sozinha. Depois de trocar meus medos com ela, sua primeira reação foi tratar de resolver com os tios, que moram em Bogotá, se eu poderia ficar hospedada com eles.

Depois de uma rápida ligação eu já tinha casa, comida, ela como parceira e “tios” novos. Eles realmente foram como tios, me trataram tão bem quanto trataram a própria sobrinha, rodaram com a gente pela cidade, fizeram o café-da-manhã, fizeram lanche para a viagem de volta, me convidaram para voltar à Bogotá com mais tempo para conhecer pontos turísticos e claro, ficar hospedada com eles em sua casa. Meu único pensamento durante a viagem de volta era: “Que lugar é esse de pessoas tão queridas, tão educadas e tão felizes em ajudar?”, eu simplesmente não conseguia entender como eu havia sida tratada tão bem a troca de absolutamente nada.
Por essa e também por todos os outros tratamentos que já recebi por aqui (e que venho recebendo a todo instante durante essa aventura), eu me recuso a dizer não a quem quer precise da minha ajuda. Minha vontade é de levá-los todos comigo quando regressar pra casa só para oferecer esse mesmo tratamento, esse mesmo amor, esse bem-querer tão espontâneo e sincero. Sim, essa sou eu com o coração triplicado de tamanho e recheado de amor pra dar depois de viver mais de um mês por essas terras caribeñas. O amor é meu cartão de visitas!

 

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